quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Não consigo ser feliz o tempo todo e vivo de passado e futuro também!

Hoje cheguei em casa e já passava das 21 horas. Saí do trabalho e fui pegar meu filho na casa da minha mãe. Como sempre muito apressada para chegar em casa e começar a segunda jornada. Enfim... cheguei em casa... uma bagunça! Camas desarrumadas, louça do café para lavar... roupas para pôr na máquina... pensei “socooorro”. E como tenho prova no domingo ainda fiquei me culpando de não estar estudando... “poxa, bem que eu podia ter acordado cedinho no fim de semana para estudar”. Resolvi tomar um banho, até pensei em passar um óleo ou um hidratante... mal tive coragem de passar o sabonete. Sentia uma dormência nas mãos, as pernas doíam e a pele refletia todo o meu estado de esgotamento.

Daí pensei nas famosas frases daqueles grandes mestres que passam a vida meditando e nos ensinado como viver, nos falando para viver cada dia como se fosse o último, ou que apenas existem dois dias em que não podemos fazer nada, ontem e amanhã!... enfim... nessa obrigação que temos de ser felizes todo santo dia. Isso não existe gente!

[então resolvi escrever - minha terapia]

Ninguém é feliz o tempo todo! Todos nós temos nossos dias de tristeza, de amargura, de solidão, de cansaço, de não querer ver ninguém, de desapontamento... a vida é assim.!.. claro que não podemos nos entregar, ou perder nossa fé e esperança em dias melhores. Porém, temos que saber que todos temos momentos ruins e que a tristeza é também inerente à vida. Podemos sim nos sentir fracos de vez em quando, todo mundo se sente!

A sociedade tem nos cobrado tanto para sermos felizes que achamos que isso é uma obrigação! Deve ser por isso que tantas pessoas sofrem de depressão nos dias de hoje, porque acham que não podem sofrer, ficar tristes, se sentirem fracassadas. Tal ‘obrigação’ acaba as deixando frustradas e doentes.

Já imaginou viver cada dia como se fosse o último? Primeiro que ninguém ia estudar né? Ou fazer planos para o futuro... ou trabalhar... ou cultivar verdadeiras amizades, ou investir em um grande amor... enfim.

Há tempos que precisamos semear e para isto temos que abrir mão de algumas coisas prazerosas da vida, mas não estamos deixando de viver por isso. Planejar e sonhar também é viver!

Em outros momentos nos confortamos com os dias felizes que vivemos no passado. E ao contrário do que dizem, quem vive de passado não é museu não!  Recordar do passado também é viver! Inclusive, nos momentos em que me sinto triste, utilizo muito essa técnica de relembrar das coisas boas que vivi - o que me conforta bastante, pois existem  momentos em que fomos tão felizes que o simples recordar já nos deixa feliz!

Já em outros períodos o que me sustenta é a projeção de um futuro melhor, como as tão sonhadas férias, o show que quero ir, o novo lugar que pretendo morar, a planejada viagem, o novo cargo que pretendo ocupar, aquele livro que quero ler... Enfim, também vivo do futuro! E pensar no futuro também ajuda  a amenizar meus dias de desilusão ou tristeza.

Há dias em que chego a pular de alegria, assim, sem nenhum motivo aparente... em outros quero morrer de tristeza - e nestes eu encontro mil motivos... mas o que me faz ser uma pessoa predominantemente feliz não é viver cada dia como se fosse o último, é ter fé em um futuro melhor, recordar sempre dos dias maravilhosos que a vida já me proporcionou, valorizar o 'meu jardim' e saber que posso sim ter meus dias de cão, que posso sofrer, chorar, não querer ver ninguém... e que isso não me fará menor nem maior, me fará simplesmente humana!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Será que eu já posso enlouquecer ou devo apenas sorrir?"

O trecho da canção da Pitty embalou meu mês. Em meio a tanta coisa que quase roubou minha paz... enlouquecer ou sorrir? eis a questão!
Mas se a gente parar para pensar... nenhuma decepção, tristeza, rancor ou desilusão deve ultrapassar o nascer do sol. Nenhuma! Simplesmente porque viver é fantástico! E não devemos perder tempo com coisas menores... Já diziam nossos avós: o que não tem remédio, remediado está!
Imagine quantos sabores ainda temos a provar, quantos sons ainda nos embalarão, quantos lugares mágicos temos para conhecer... quantos sorrisos provocaremos, quantos provocarão em nós... quantos mundinhos descobriremos em cada pessoa que cruzará nosso caminho..quantos pores-do-sol... quantos livros nos mostrarão um novo paradigma, quantos filmes a nos emocionar... quantos ventos a nos assanhar e nos fazer sentir livres... quantas belas histórias viveremos... em quantas aventuras nos meteremos... tanta coisa maravilhosa a fazer... a descobrir... então, porque enlouquecer?... 
... neste momento decidi que devo apenas sorrir! Porque nada acontece por acaso... e viver é FANTÁSTICO! [pelo menos para mim é... e espero que seja para você também!]

domingo, 1 de novembro de 2009

Fast-food do amor

Vivemos na era das facilidades, da velocidade, da comodidade. Está tudo pronto para levar, para comer, para usar. Não precisamos mais passar a tarde na biblioteca, basta um clique para ter acesso às bibliotecas do mundo inteiro. Não perdemos mais tempo fazendo o suco do café-da-manhã - ele já vem prontinho para beber numa embalagem super prática. Nem sequer precisamos cortar as frutas - elas também já podem ser compradas descascadas e cortadas em tamanhos ideais para o consumo. Não mais precisamos passar semanas pesquisando um produto que desejamos - do nosso confortável sofá o compramos e o recebemos em casa. Nada mal. Aliás, é maravilhoso! Afinal o tempo é o recurso mais escasso e desejado nos dias de hoje, e com isso ganhamos muito tempo.

O grande problema é que o amor também virou item de prateleira. Algo que queremos encontrar pronto, consumir rapidamente e enfim satisfazer nossas necessidades de ‘amar’ da forma mais prática, veloz e cômoda possível.

Perdemos o prazer da conquista, do conhecer, do amar em silêncio, do ‘ir devagar’. Perdemos a paciência de paquerar, de tornar-se amigos. Afinal tudo tem que ser rápido, não podemos esperar.

A paixão e o amor se tornaram algo tão superficiais que saem com facilidade da boca de pessoas que mal se conhecem. “Poxa, ele é lindo, bem sucedido, solteiro... o conheci ontem, estou apaixonada!” ou “Você é tão linda, inteligente, independente... quer casar comigo?”

Acreditamos em amores prontos, em perfis ideais. Amamos as coisas e não as pessoas. Nos apaixonamos pela casca, sem ao menos tentarmos descobrir o miolo. Enfim, perdemos a paciência de conhecer o outro, de nos doar, de conquistá-lo dia-a-dia. E da mesma forma repentina com que nos apaixonamos nos desapaixonamos também. Porque quando a paixão não evolui para o amor ela morre! Passada a euforia da atração, a semente não cultivada pelos sentimentos e atitudes necessários não vinga. E novamente estaremos pronto para pegar mais um produto na prateleira.

Creio que este seja o grande motivo da solidão que abala as pessoas de todas as partes do mundo. E não falo de solidão apenas no sentido do ‘estar sozinho’, porque também podemos nos sentir sozinhos estando acompanhados - e este é o pior tipo de solidão.

Essa solidão que nos assola advém da nossa falta de paciência em conhecer as pessoas de verdade: Quais são seus planos, seus objetivos, sua filosofia de vida? O que gosta de fazer, o que considera importante, o que não admite? Que valores cultiva, como é sua família, quem são seus amigos? Como enxerga o mundo, as pessoas? Quais são seus sonhos, o que podemos aprender juntos, o que posso ensinar? Nossos mundos se complementam? Ampliamos nossos horizontes? Ou tirando a estética, o status e o que os olhos puderam enxergar no primeiro momento, não nos resta mais nada em comum.

A paixão é uma semente linda que quando cultivada com paciência, sinceridade, carinho e respeito pode crescer e se transformar numa linda, grande e formidável árvore chamada AMOR.

O amor não é para qualquer um. Nada na vida, muito menos o amor, pode surgir sem esforço, sem que tenhamos que ter cultivado e trabalhado muito por isso.

Precisamos deixar de ser tão superficiais e imediatistas e passarmos a enxergar a vida de maneira menos pronta. Precisamos nos conhecer com mais profundidade, ser menos impulsivos e mais verdadeiros. Devemos procurar nas pessoas o que não conseguimos enxergar a olho nu, o que os outros não conseguem ver ‘de longe’. Precisamos descobrir a única coisa que lhes é eterna – sua alma. Precisamos amar sem medo, sem interesse, sem possessividade, sem prestação de contas!

Precisamos nos tornar pessoas críveis e dispostas  a amar. Precisamos olhar mais nos olhos, escutar com vontade de entender, nos apaixonar pelas idéias, pelos ideais, nos emocionar juntos, lutar pelos sonhos do outro, desbravar caminhos, superar obstáculos, sorrir,  conhecer o cheiro da pele, apreciar até os ‘defeitos’. Esperar com fome para jantar juntinhos. Ficar ansioso com a ansiedade do outro. Sentir a dor do outro. Respeitar o seu espaço e ao mesmo tempo fazer parte dele. Estar com ele mesmo estando muito longe. Ficar com cara de bobo ao pensar nele. Não duvidar do que sentimos e do que o outro sente. Precisamos resgatar a verdadeira essência do amor!!
ABAIXO O FAST-FOOD!!!