domingo, 28 de novembro de 2010

Fragmentos de novembro


A Clarice disse: “Tenho a impressão de que falo muito e que digo sempre as mesmas coisas.” Eu tenho a mesma impressão...

O sol queima mas não brilha. As pessoas são invisíveis. O vento não refresca. O mar é cinza. A música é barulho. O sorriso é amarelo. A razão reina. O mundo aplaude e o coração se despedaça.

Em um mar de incertezas, afundo-me em solidão.

Agarrar-se às pequenas coisas é uma forma inteligente de fugir das que mais importam.  Porque as que mais importam são muito subjetivas e lidar com a subjetividade é um grande desafio.

Senti-me livre quando minha felicidade tornou-se independente.

Liberdade é uma coisa que só existe no mundo da fantasia. Porque no íntimo todos querem estar presos a alguém.

A emoção é a razão bêbada.

O ser humano é tão complicado que às vezes até entendo porque alguns deles dão tanta importância ao 'ter'. Afinal, é impossível se decepcionar com uma bolsa da Louis Vuitton!

O grande problema é que sempre sofro por medo de sofrer... E assim vou vivendo entre ausências e excessos. Companhia e solidão. Entrega e fuga. Alegrias e tristezas... Procuro sempre uma certeza, uma verdade, um porto seguro. Acho que é tudo de que preciso: um porto seguro. Mas será que existe? Ou estou à procura de algo utópico?... E será que o que preciso é mesmo de segurança? Se tivesse as respostas não faria as perguntas...

Mas me resta uma certeza: Pode-se comprar tudo, menos o essencial!


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