quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal

Chega o natal e todos ficam obcecados por 'ter' e 'dar' felicidade.
Apesar de cansados e estressados, eles passeiam felizes de loja em loja,
Enfiando a felicidade em sacolas ao som das singelas canções natalinas.
É mesmo um momento mágico. Uma hipnose!


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O amor




Quando o ceticismo surge a respeito do amor, eu lembro deles: os meus avós paternos - Gercina e Nino. Um raro exemplo de casal que realmente se amou e viveu em harmonia por toda a vida. Nem a morte os conseguiu separá-los, pois diante da imensa saudade e dor da partida, a minha avó também se foi.
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“Que seja eterno enquanto dure” – Perdoe-me Vinícius, mas você muito entendeu de paixões e pouco – ou quase nada, de amor. Ser eterno é condição sine qua non do amor.
Amar é depois do turbilhão da paixão, escolher ficar. Amar é dedicação, respeito, confiança. Amar é escolha. Amar é compartilhar momentos tristes e felizes com comprometimento.
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Mas não defendo o ‘eterno’ de fachada - que infelizmente é o mais comum. Isso não é amor. Volto a repetir: amor é inseparável de respeito, confiança, fidelidade, companheirismo, carinho e admiração pelo outro. O resto é prestação de contas!! Prestação de contas com essa sociedade hipócrita onde vivemos.
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Amar não é fácil. Às vezes dói. Porém é a razão mais aceitável da nossa existência. Amar é eterno! Se acabou, não era amor!

Um viva aos meus avós!! Tim Tim!!!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

PontuAção



Muitas vezes não se tem reticências, 
pontos finais ou exclamações
para as interrogações.
E a vida é também essa fantástica e 
desEncontrada dança da pontuAção.
De silêncios, persistências e desistências.
Um jogo de azar. De sorte.
Uma pegadinha! 

Luana Carvalho
Arte by Vladimir Volegov.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cubinhos



Certos momentos mereciam 
ser congelados em cubinhos. 
Para em caso de dias tristes, 
serem descongelados
Bem devagarinho.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O trem e a vida


Assim como a vida, 
o trem está sempre 
em movimento.
Partindo ou chegando.
Trazendo ou levando.
Chova ou faça sol, 
a paisagem no caminho
tem sempre algo 
a nos ensinar.
Aprecie a paisagem!
Luana Carvalho 
Arte by Raymond Leech.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Comando vermelho




                                            Coração!
  
                               realidade distorcida em
                                                    doces ilusões
                                       cegueira
                                          castelos  e
                                                personagens fictícios
                                lindas flores no chão
                                            galhos secos no vaso
                                      e enfim,
                                                   encontro
                                                   construção 
                                                   missão
                                                   felicidade
                                                                     
                                                                  amor.




Luana Carvalho
Arte by Justyna Kopania.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sem Mandamentos


Às vezes penso que sem a utopia,
a vida seria insuportável.
E divertido mesmo
é ser uma nota musical.




domingo, 12 de agosto de 2012

Saudades eternas

Pai... são seus todos os dias, mas como escolheram esse para fazer a festa, registro aqui minhas saudades profundas, permanentes  e ainda em carne viva.
Obrigada por teres me deixado a melhor herança que eu poderia receber: meus valores! Sempre que passo por algum tipo de prova desse mundo insano, lembro de você e é o seu sorriso de aprovação, passando os dedos na sobrancelha, que me enxuga todas as lágrimas.
E a minha filosofia de vida é ter sempre esse sorriso permeando minhas decisões. Espero que eu esteja conseguindo... E também que me desculpe por algum deslize.
O que eu posso dizer é que seria muito mais fácil com você...




sábado, 4 de agosto de 2012

"Não sonho mais"


Posso passar horas escutando essa música.
Nem tanto pela beleza de sua letra (que não deixa de ser brilhante), mas pela inquietude que ela provoca.
O ritmo é alucinante e eu consigo estar nesse sonho medonho... sentir  este sonho medonho... rir desse sonho medonho... correr n(d)esse sonho medonho...

“Foi um sonho medonho
Desses que, às vezes, a gente sonha
E baba na fronha e se urina toda e quer sufocar...”

Assim como nos romances e nas poesias, nas músicas também cada um é livre para fazer a sua interpretação. Portanto, embora essa música tenha sido feita para um filme (República dos assassinos, de Miguel Faria - onde quem fala é um travesti, dirigindo-se ao seu amor, um policial), cada um pode senti-la e entendê-la da forma que quiser, conforme seu momento e suas experiências. Ou simplesmente, não entendê-la... apenas correr, atolar-se, sujar-se.... cair da cama e acordar!

“Quanto mais tu corria
Mais tu ficava, mais atolava,
Mais te sujava. Amor, tu fedia,
Empesteava o ar.”


“Pois eu sonhei contigo e caí da cama.
Ai, amor, não briga! Ai, não me castiga!
Ai, diz que me ama e eu não sonho mais!”







sexta-feira, 3 de agosto de 2012

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Armadura virtual




A internet e suas redes sociais têm contribuído para uma geração cada vez mais covarde e, contraditoriamente, que se acha muito inteligente e poderosa por poder falar o que pensa, ou acha que pensa, sem expor sua face.

Vestido com a armadura da virtualidade - e a maioria das vezes de forma indireta, você diz [com o peito inflado] o que gostaria muito de ter coragem de falar pessoalmente. Mas pessoalmente é algo muito complexo e estranho pra você. Pessoalmente talvez você só seja capaz de sorrir aquele sorriso amarelo, balbuciar poucas e vagas palavras e dizer em alto e bom som:  “a gente se fala por mensagem”.

Até os relacionamentos começam por mensagens [seja telefone ou  redes sociais]. Você pode até ser vizinho, mas só tem coragem de 'chegar'... por mensagem. Porque a possibilidade de receber um não olhando no olho é muito humilhante pra você. Ou porque você acha que um ser tão corajoso não pode mostrar que está nervoso, envergonhado ou suando frio,  afinal, isso seria uma grande covardia! Sem falar que, por mensagem, ninguém vai ver você chorar... Por mensagem, você pode mostrar-se feliz sempre!

Então, sendo assim, você vai se encontrar [de verdade] apenas pra beijar ou pra transar, porque por mensagem ainda não dá! Ou dá? "Vamos tentar?"

E se o rolo, namoro ou a troca de mensagens não vai bem? Nada como uma mensagem legal! Nada, mas  nada mesmo, como um bate papo virtual! - “Eu sou muito bom com as palavras, sempre falo tudo que penso sem medo.”

E se quer terminar? AAhh, uma mensagem resolve tudo! Todos ficam felizes como se nada tivesse acontecido - “Acabamos numa boa, vou trocar mensagens com outra pessoa!”. Afinal, foi apenas algo virtual – mensagens, mensagens, muitas mensagens... Públicas e privadas, diretas e indiretas.

Tem algo pra dizer a alguém?  Seja quem for... Passa uns minutinhos no google, copia e cola algo genial que alguém escreveu [certamente porque tenha vivido uma vida real], põe um fecho pra parecer que você compartilha de tudo aquilo e, tam tam tam tam: Joga na rede, o que cair na armadilha, é peixe!

E não podemos esquecer das curtidas. Hoje praticamente sinônimo de aplauso. E quem não gosta de aplauso? Joga na rede [ Your second life! Ou será primeira?] e passa o dia todo curtindo as ‘curtidas’... Puro êxtase, uhhhh! – “ahh como eles me adoram!... Eu sou demais!”.

Diz tudo o que quer da forma que quiser! Quase sempre direcionado a alguém... Mas, se der algo errado você se desculpa ou faz de conta que não entendeu ou joga a culpa na vítima. – “Não, que é isso? é apenas uma reflexão neutra”. 

Ligar ou falar olhando nos olhos é tão difícil...

Muitas vezes me vejo contaminada por essa covardia. Talvez para retribuir,  entrar no jogo - me sentir no time! Afinal, cheguei há pouco tempo nessa rede gigante e desconfortável e ainda não aprendi a me balançar... Confesso que prefiro as redes que juntam as peles... E tenho muito medo desse balanço alucinante.

Que saudade sinto do tempo em que usávamos apenas a nossa cara para enfrentar nossos problemas, descobrir nossos sentimentos e conhecer o outro.

Ainda sou do tempo que coisas importantes eram resolvidas cara a cara. Do tempo em que telefone era usado para dizer: "estou indo aí te ver!" ou "liguei só pra escutar sua voz e...". 

Sou do tempo em que as pessoas tinham coragem e eu nem sabia que algo tão simples como enfrentar a vida de corpo [presente] e alma significava tanto. Sou do tempo em que até as indiretas eram, no mínimo, direcionadas à pessoa certa, face [real] a face [real].

Sim! Sim! Ainda existem pessoas que quando querem falar com você te ligam... Que quando querem te ver vão ao seu encontro - mesmo que isso signifique pegar um avião. Tanto sei que tive e tenho o privilégio de conhecer e reconhecê-las.

Finalmente, o meu maior medo... A minha maior preocupação, é, como mãe de um adolescente, saber ensiná-lo a ter sua própria ‘face’ e a escrever o seu próprio ‘book’, sem usar essa armadura.


domingo, 29 de julho de 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Igualdade desigual


Elas passaram anos lutando pelos seus direitos e, enfim, deixaram de ser Amélias para se tornarem burras de carga.

O mundo continua machista e hipócrita. As mulheres se igualaram aos homens em muitos dos aspectos que tornam a vida deles mais fácil, mas em poucos dos que poderiam tornar a vida delas mais justa e feliz.

Os sutiãs foram queimados e elas continuam ardendo –  no mau sentido, vale ressaltar.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rifa


 
Há sempre algo dito sobre o que se quer dizer... As questões essenciais da vida foram e sempre serão as mesmas. Os poetas sabem explicá-las mais do que ninguém, porque estes sentem, estes vivem! 
Ilusão é imaginar que as asas que tanto desejamos estejam conosco... As asas, ahh as asas! Elas estão no outro! O vôo solo é, e sempre será, anestésico para dor (ou falta) de amor. Sabedoria não é saber analisar, é saber sentir.

....

Rifa-se um coração

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque, que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que, na realidade, está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente , que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu..."não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero"...
Um idealista...um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado, indicado apenas para quem quer viver intensamente, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem
armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que, quando parar de bater, ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro, na hora da prestação de contas: "O Senhor pode conferir.
Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro, que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

(Clarice Lispector)
 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

                  

nua, calcei o amor

viajei milhas sem fim.



agora, nua e descalça

sinto dor



calejado coração

não faz assim!


domingo, 6 de maio de 2012

Despertar


Abri os olhos... Foi como se uma venda tivesse caído.
Como se estivesse olhando para mim do lado de fora do meu corpo.
Como se acordasse de um porre e, enfim, enxergasse a realidade.
Desesperadamente quis voltar a dormir... Deixe-me voltar a dormir!
Chovia lá fora e dentro de mim... Chovia dentro de mim... E estava escuro... Escuro...
Lágrimas ácidas escorriam sobre minha face... Queimando-me... Queimando-me...
Eu lembrava dos sorrisos de ontem como algo distante, ilusório, dopado.
Eu percebi que havia sorrido, sonhado e vivido... sozinha.
O barulho da chuva ensurdecia-me, afogando meus sentimentos tolos.
As lágrimas alimentavam-me com o gosto da verdade.
E como num gesto de loucura comecei a me deliciar com elas... Elas eram reais... Reais!
Eram quentes, puras, transparentes - como eu desejava que fossem muitas coisas da vida.
Deixei, serenamente, que lavassem minha alma e provocassem uma espécie de despertar .
Despertar para um novo dia onde tudo o que parecia igual estaria completamente diferente.
Como se eu estivesse abrindo uma nova porta...
De alma lavada e sustentada pela pílula da esperança.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Contracenas do viver


De que valem as palavras
Quando as atitudes não as validam?
Por que usá-las em vão?
Que saiam não da boca,
Mas do coração!

Por que agradar com inverdades?
Por que não lutar pela verdadeira felicidade?

As pessoas são descartáveis.
Já os objetos têm que ser duráveis.

Passa-se anos perseguindo o carro dos sonhos.
Mas amor se encontra em qualquer mesa de bar.
Pra que esperar? Por que lutar? 

Bom é mostrar que se casou com um bom partido,
Diga-se: marido rico!
Que importa se somos felizes de fato?
Sorrir na foto é sempre fácil,
Difícil, é acordar sorrindo!



Saudade



Saudade é tradução
Do que se passa
Numa alma que um dia acreditou
No encontro, no amor.

                                                                                    Saudade é um vazio deixado
                                                                                    Num espaço reservado
                                                                                    Para o essencial.

Saudade é mergulhar nas lembranças
Das projeções que fizemos
E que não se tornaram reais.

                                                                                     Saudade é tanta coisa,
                                                                                     É tanta gente,
                                                                                     É triste,  é contente.
                                                                                     É humano,  é da gente!


luana carvalho
Arte : Jon Paul.