terça-feira, 27 de setembro de 2011

Não importa se vivo
mais de sonho que de fato.
O que importa é que o fato
seja sempre um sonho!

Arrependimentos? Nenhum.
Embora tanto à devaneios me prenda...

O fazer algo novo é essencial.
Mas também há algo de fascinante
no fazer todo dia, sempre igual.

Não é questão de ser contraditória.
É buscar a cada instante aprender
a ser um novo ser!!

Luana Carvalho
Arte: Jaroslaw Kukowski

sábado, 25 de junho de 2011

O mar




Gosto do mar
porque parece infinito,
assim como deveria
ser o amor.
Gosto do mar
porque me acalma
contemplar suas ondas dançando
ao ritmo dos ventos.
Gosto desse casamento
do mar com o céu,
quando fica difícil distinguir
o começo de um e o final do outro.
Gosto desse som que emana das ondas
acalmando minhas idéias,
revigorando meu ser.
Gosto desse cheiro que
me faz lembrar da importância
das coisas simples.
Gosto de sentir a areia
massageando meus pés,
tocando meu corpo...
Gosto do banho salgado
que leva as energias negativas.
Gosto de ficar sozinha
olhando, sentindo e ouvindo
esse meu amigo, chamado mar.

domingo, 22 de agosto de 2010

Fome d'alma


Minha alma tem fome.
E fome d’alma
não se mata com carne.

Minha alma tem fome,
de palavras bonitas
e pensamentos utópicos.

Minha alma tem fome.
De sonho, amor e fantasia.
Porque corpo não ama, deseja.
Somente a alma conhece o amor.

Minha alma tem fome.
Das tardes a viajar em teus olhos,
do feitiço de tuas palavras,
do aprendizado de teu mundo.

Minha alma tem fome e, só não morre,
porque se alimenta das lembranças,
dos dias em que o teu amor,
a deixou em estado de graça.

sábado, 29 de maio de 2010

Despedida

E chega a hora de partir. Imaginei que fosse fácil - tipo arrumar as malas e não olhar pra trás. Não é. Foram anos muito bem vividos. Fatos inesperados e muitos outros bem planejados.
Como a vida nos surpreende! Aqui entrei tão jovem, estudante e mãe e, hoje, saio me sentindo, de fato, uma mulher. Mulher, profissional e mãe. Lembro dos meus sonhos e até das metas estrategicamente escritas (hábito que guardo até hoje), do meu otimismo e também das minhas infantilidades (decorrentes da imaturidade). Do meu inconformismo algumas vezes infundado. Mas também da minha alegria e do desejo de fazer do dia-a-dia algo melhor. Da força com que me impunha na realização dos projetos. Fico pensando onde encontrei tanta força... Somente Deus pode explicar.
Lembro dos poucos anos que pude ser inteiramente mãe e dona-de-casa, da minha iniciação na cozinha, das conversas com as vizinhas e da construção de sólidas amizades. Da experiência como síndica, da reforma no prédio, das brigas nas reuniões de condomínio. Das famílias que por aqui passaram, dos problemas que algumas nos causaram e das boas lembranças que muitas deixaram.
Festa de formatura, aprovação em concurso, separação, promoção, realização! ... Alguns quilos e rugas e até caprichos estéticos...
Não sou mais aquela jovem que adentrou esta porta como se entrasse num palacete, deliciando-se com as primeiras gotas do seu suor. Não sou mais aquela mãe devorando livros e revistas em busca das melhores formas de educar e criar um filho. Não sou mais aquela jovem estudante frustrada porque já quase no final do curso que escolhera para exercer, não via perspectivas no mercado de trabalho. Também não sou mais a ‘esposinha’ perfeccionista que vivia em prol da família de comercial de margarina. Não sou mais aquela ser extremamente emocional, que muitas vezes falava e agia sem pensar. Mas ainda sou tanto do que fui...
Olho pros objetos, pras paredes, pras cores. Tudo está impregnado de lembranças, de vida, de história. E ao contrário do que imaginei, não é fácil partir. Vejo pedacinhos de mim em cada detalhe... levo comigo muitas lembranças e aprendizado, muito aprendizado (nossa razão maior de existência).
Tenho procurado levar apenas o que importa. Muitas coisas vão ficar. Pedacinhos de cartas, cartões e agendas, provas da universidade (todas organizadas por período), juras de amor eterno, recortes de jornal, livros que nunca mais serão lidos, objetos que não tem mais utilidade ou significado... Tudo vai se acumulando no lixo... somente o importante restará na memória.
Nada de pressa. Pacientemente analiso, seleciono, guardo ou descarto. E simultaneamente um importante período da minha vida vai sendo projetado, como se fosse um filme.
É um misto de prazer, saudade, alegria, dor e esperança. Parece que a vida está trocando de roupa.
Porque o lar é também nosso reflexo, parte do que somos, gostamos, valorizamos.
Meu novo lar com certeza será diferente, porque não sou mais a mesma. É como um quadro que começarei a pintar. Vou construir meu novo cenário. Cada pincelada refletirá um pouco de mim, um pouco do que desejo...
Espero realizar mais uma bela pintura! Assim como esta, que agora ficará exposta no museu da minha alma.

terça-feira, 2 de março de 2010

Será sempre um sonho!

Tantos carnavais fiquei a sonhar com aquele dia, em que pudesse envolver-me em tamanha magia e cair na mais fantástica e alegre folia!!
Era algo meio irreal pra mim... parecia ficção... coisa de televisão!
Enfim... O tão esperado e atípico dia chegou!
Maquiagem, banho, pernas para o ar pra descansar... rsrs... liga pro táxi, come algo leve, suco de fruta, purpurina, perfume, biquíni, máquina, doleira, dinheiro, redbull... aiaiai... é um dia especial!! Não podemos esquecer de nada!
E tudo foi breve, breve como estes sonhos que a gente acorda e tenta voltar a dormir para continuar... breve como um beijo apaixonado onde as horas parecem minutos... breve como um encontro especial com alguém que jamais voltaremos a rever. Breve...
A batida do coração acompanhava o ritmo da bateria. As pernas cansadas tão dispostas a bailar! Os olhos brilhavam ao encontro da multidão encantada. A pele quente transpirava descomunalmente. E o sonho se consolidou como sonho. Algo que jamais será real... Eternamente encanto... porque foi bom demais para ser verdade.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Será que eu já posso enlouquecer ou devo apenas sorrir?"

O trecho da canção da Pitty embalou meu mês. Em meio a tanta coisa que quase roubou minha paz... enlouquecer ou sorrir? eis a questão!
Mas se a gente parar para pensar... nenhuma decepção, tristeza, rancor ou desilusão deve ultrapassar o nascer do sol. Nenhuma! Simplesmente porque viver é fantástico! E não devemos perder tempo com coisas menores... Já diziam nossos avós: o que não tem remédio, remediado está!
Imagine quantos sabores ainda temos a provar, quantos sons ainda nos embalarão, quantos lugares mágicos temos para conhecer... quantos sorrisos provocaremos, quantos provocarão em nós... quantos mundinhos descobriremos em cada pessoa que cruzará nosso caminho..quantos pores-do-sol... quantos livros nos mostrarão um novo paradigma, quantos filmes a nos emocionar... quantos ventos a nos assanhar e nos fazer sentir livres... quantas belas histórias viveremos... em quantas aventuras nos meteremos... tanta coisa maravilhosa a fazer... a descobrir... então, porque enlouquecer?... 
... neste momento decidi que devo apenas sorrir! Porque nada acontece por acaso... e viver é FANTÁSTICO! [pelo menos para mim é... e espero que seja para você também!]

domingo, 1 de novembro de 2009

Fast-food do amor

Vivemos na era das facilidades, da velocidade, da comodidade. Está tudo pronto para levar, para comer, para usar. Não precisamos mais passar a tarde na biblioteca, basta um clique para ter acesso às bibliotecas do mundo inteiro. Não perdemos mais tempo fazendo o suco do café-da-manhã - ele já vem prontinho para beber numa embalagem super prática. Nem sequer precisamos cortar as frutas - elas também já podem ser compradas descascadas e cortadas em tamanhos ideais para o consumo. Não mais precisamos passar semanas pesquisando um produto que desejamos - do nosso confortável sofá o compramos e o recebemos em casa. Nada mal. Aliás, é maravilhoso! Afinal o tempo é o recurso mais escasso e desejado nos dias de hoje, e com isso ganhamos muito tempo.

O grande problema é que o amor também virou item de prateleira. Algo que queremos encontrar pronto, consumir rapidamente e enfim satisfazer nossas necessidades de ‘amar’ da forma mais prática, veloz e cômoda possível.

Perdemos o prazer da conquista, do conhecer, do amar em silêncio, do ‘ir devagar’. Perdemos a paciência de paquerar, de tornar-se amigos. Afinal tudo tem que ser rápido, não podemos esperar.

A paixão e o amor se tornaram algo tão superficiais que saem com facilidade da boca de pessoas que mal se conhecem. “Poxa, ele é lindo, bem sucedido, solteiro... o conheci ontem, estou apaixonada!” ou “Você é tão linda, inteligente, independente... quer casar comigo?”

Acreditamos em amores prontos, em perfis ideais. Amamos as coisas e não as pessoas. Nos apaixonamos pela casca, sem ao menos tentarmos descobrir o miolo. Enfim, perdemos a paciência de conhecer o outro, de nos doar, de conquistá-lo dia-a-dia. E da mesma forma repentina com que nos apaixonamos nos desapaixonamos também. Porque quando a paixão não evolui para o amor ela morre! Passada a euforia da atração, a semente não cultivada pelos sentimentos e atitudes necessários não vinga. E novamente estaremos pronto para pegar mais um produto na prateleira.

Creio que este seja o grande motivo da solidão que abala as pessoas de todas as partes do mundo. E não falo de solidão apenas no sentido do ‘estar sozinho’, porque também podemos nos sentir sozinhos estando acompanhados - e este é o pior tipo de solidão.

Essa solidão que nos assola advém da nossa falta de paciência em conhecer as pessoas de verdade: Quais são seus planos, seus objetivos, sua filosofia de vida? O que gosta de fazer, o que considera importante, o que não admite? Que valores cultiva, como é sua família, quem são seus amigos? Como enxerga o mundo, as pessoas? Quais são seus sonhos, o que podemos aprender juntos, o que posso ensinar? Nossos mundos se complementam? Ampliamos nossos horizontes? Ou tirando a estética, o status e o que os olhos puderam enxergar no primeiro momento, não nos resta mais nada em comum.

A paixão é uma semente linda que quando cultivada com paciência, sinceridade, carinho e respeito pode crescer e se transformar numa linda, grande e formidável árvore chamada AMOR.

O amor não é para qualquer um. Nada na vida, muito menos o amor, pode surgir sem esforço, sem que tenhamos que ter cultivado e trabalhado muito por isso.

Precisamos deixar de ser tão superficiais e imediatistas e passarmos a enxergar a vida de maneira menos pronta. Precisamos nos conhecer com mais profundidade, ser menos impulsivos e mais verdadeiros. Devemos procurar nas pessoas o que não conseguimos enxergar a olho nu, o que os outros não conseguem ver ‘de longe’. Precisamos descobrir a única coisa que lhes é eterna – sua alma. Precisamos amar sem medo, sem interesse, sem possessividade, sem prestação de contas!

Precisamos nos tornar pessoas críveis e dispostas  a amar. Precisamos olhar mais nos olhos, escutar com vontade de entender, nos apaixonar pelas idéias, pelos ideais, nos emocionar juntos, lutar pelos sonhos do outro, desbravar caminhos, superar obstáculos, sorrir,  conhecer o cheiro da pele, apreciar até os ‘defeitos’. Esperar com fome para jantar juntinhos. Ficar ansioso com a ansiedade do outro. Sentir a dor do outro. Respeitar o seu espaço e ao mesmo tempo fazer parte dele. Estar com ele mesmo estando muito longe. Ficar com cara de bobo ao pensar nele. Não duvidar do que sentimos e do que o outro sente. Precisamos resgatar a verdadeira essência do amor!!
ABAIXO O FAST-FOOD!!!