domingo, 12 de fevereiro de 2012

Contracenas do viver



De que valem as palavras

Quando as atitudes não as validam?

Por que usá-las em vão?

Que saiam não da boca,

Mas do coração!



Por que agradar com inverdades?

Por que não lutar pela verdadeira felicidade?



As pessoas são descartáveis.

Já os objetos têm que ser duráveis.



Passam-se anos perseguindo o carro dos sonhos.

Mas amor se encontra em qualquer mesa de bar.

Pra que esperar? Por que lutar? 



Bom é mostrar que se casou com um bom partido,

Diga-se: marido rico!

Que importa se somos felizes de fato?

Sorrir na foto é sempre fácil,

Difícil, é acordar sorrindo!




Saudade


Saudade é tradução
Do que se passa,
Numa alma que um dia acreditou,
No encontro, no amor.

                                                                                    Saudade é um vazio deixado,
                                                                                    Num espaço reservado
                                                                                    Para o essencial.

Saudade é mergulhar nas lembranças,
Das projeções que fizemos
E que não se tornaram reais.

                                                                                     Saudade é tanta coisa,
                                                                                     É tanta gente,
                                                                                     É triste, é contente.
                                                                                     É humano, é da gente!

sábado, 12 de novembro de 2011

Muitas vezes o Pessoa traduz o meu estado de espírito

Nuvens

No dia triste o meu coração mais triste que o dia…
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de conseqüências?
Não, nada…
O dia triste, a pouca vontade para tudo…
Nada…
Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive).
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo…
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente…
Não sentem: para que haveriam de sentir?
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, álacre, vivo, contente de sentir-se…
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer…
No dia triste o meu coração mais triste que o dia…
No dia triste todos os dias…
No dia tão triste…

Álvaro de Campos (um dos heterónimos mais conhecidos do Fernando Pessoa)


domingo, 23 de outubro de 2011

Buraco negro


Por mais que a gente se esforce, há sempre o momento, sem intervalo de tempo definido, que ermos de escorregar para o nosso buraco negro.
Talvez mantendo-nos sempre ocupados conseguimos evitar esta queda por algum tempo. Porém, há sempre um momento de distração que nos leva a este lugar sombrio que há em cada um de nós.
Escuro e repleto de questionamentos, nos encontramos sempre sozinhos a enfrentar o nosso mais poderoso inimigo – nós mesmos.

São tantas perguntas sem explicação. Há momentos que ficamos cara a cara com nossos valores e temos que nos esforçar para não corrompê-los, já que os corrompendo, corromperemos a nós mesmos. E como ermos de saber se nossos valores são o caminho da verdade? Mas são nossos valores pow! E de que somos construídos senão de nossos valores?

Somos livres! Será? Como posso considerar-me livre se considero tão importante a opinião que o meu vizinho tem a meu respeito? Não serei eu uma marionete da sociedade? E será o exercício da liberdade constituído por fazer tudo que posso? Ou serei de fato livre ao saber dizer não, mesmo quando posso dizer sim?

Confesso que às vezes me sinto livre quando sustento um não, mesmo podendo dizer um sim... Por não me sentir escravo do meu instinto... um ser que pensa nas conseqüências das suas ações. Embora saiba que também sou instinto e que segui-lo já me tenha proporcionado imensuráveis prazeres. Aí encontro mais uma questão : Quando segui-lo?

Às vezes tenho inveja dos ignorantes e dos completamentes instintivos... Deve ser leve viver sem questionar a realidade, sem querer ser correto o tempo todo, sem pensar no outro... Mas será isso viver? Viver pra mim não tem sentido literal. Sempre o revesti com um sentido romântico, quase utópico! Que se aproxima muito mais do conceito que eu tenho do ser humano. Dessa busca incessante da sabedoria, do ser! E 'ser' é subjetivo, utópico, pensante, emotivo, amante... Ser é a resposta que procuramos.  É o porque viemos... O porque existimos. Existimos para ser! Mas como ser únicos num mundo repleto de padrões? E bem sabemos que estão nossos tão aclamados valores imbuídos desses padrões.

Desde muito cedo aprendi que devemos  não fazer com o outro o que não gostaríamos que fizessem conosco.  Claro que em algum momento escorreguei... Contudo o mantenho sempre em mente, principalmente nas decisões mais importantes. Também sei que devo ter deixado de viver algumas coisas... Mas acredito ter vivido outras melhores...

Lembro que quando criança, de tempos em tempos,  surgia-me uma falta de ar... Daí gritava por minha mãe e dizia “mãe, não consigo respirar”. Talvez esses momentos consistiam em meus buracos negros pueris... Quando da morte eu tinha medo e da vida eu queria correr... O que eu queria afinal?

Falar demais consiste em um dos meus maiores defeitos, imagino. Porque algumas vezes acabamos falando o que não pensamos ou o que pensamos de maneira meio tosca... É como se fosse um vômito de nossos pensamentos... Está  tudo misturado... E fede!

O futuro não existe até que se torne presente. Então se clama: Viva o presente!! Mas às vezes desejo que o presente passe logo... para que eu possa sair desse buraco negro...

domingo, 16 de outubro de 2011

Teu olhar


 
Os teus olhos contam-me segredos
que os teus pensamentos desconhecem.
Neles te enxergo sem o controle
que a tua prudência requer.

É você conforme eu!

E assim, hipnotizante...
arrepia-me a pele,
resfria-me o  pé do ouvido,
amolece todo o  meu  corpo,
                    deixando minha respiração...
 descomunal.
            
Tudo,
tudo efeito colateral,
  do fascínio desconcertante
 que há,
nesse encontro do meu
com o teu
                    olhar!

domingo, 9 de outubro de 2011

Eu quero meus medos de volta!!


Uma coisa tem me preocupado ultimamente – a tranqüilidade com que reajo aos meus pesadelos.
Lembro de que certo dia, depois de vinte e sete anos de vida, acordei no meio de um pesadelo e percebi, pela primeira vez, que estava sozinha. Uma sensação de angústia e medo tomaram conta de mim e, descontroladamente, comecei a chorar. Naquele momento não pude me conter em ligar para aquele que durante aproximadamente dez anos havia me consolado nesses momentos.
Não foi constrangedor porque havíamos conservado um certo cuidado e carinho em relação ao outro. Entre soluços e pausas eu disse: “oi, eu tive um pesadelo... estou com medo...”. – “Calma, calma... você quer que eu vá aí?” – “Não! Não... apenas precisava falar...” E conversamos até que eu me acalmasse e voltasse a dormir. Dividir aquele momento e ouvir palavras de conforto era tudo que eu precisava. A voz já me trazia o sentimento de companhia e cuidado.
Essa situação ainda veio a se repetir algumas vezes. Assim como em outras circunstâncias, em que ele tinha um problema, mesmo os aparentemente simples, e ligava para dividir aquela preocupação, enfim... compartilhar.
Exatamente hoje, não sei porque, percebi que há um bom tempo não tenho tido medo dos meus pesadelos. Que quando acordo no meio da noite com eles apenas penso um pouco, fecho os olhos e volto à dormir. E mesmo que chegue a chorar, não divido isso com ninguém, embora tenha com quem dividir.
Perder tais medos talvez seja algo preocupante. Precisar menos e menos das pessoas não há de ser algo saudável. Eu não quero deixar de precisar de um ombro amigo, ou de falar e falar sobre os meus problemas quando necessário. Não posso me sentir sozinha e não querer ligar pra alguém... preciso precisar de ouvir a voz, sentir-me abraçada, ligar de madrugada.
Não posso deixar que essa independência estúpida tome conta da minha vida, eu quero depender! Depender de carinho, atenção, cuidado, amizade, amor, companhia..Eu quero depender dos sentimentos  e da companhia das pessoas. Quero ter medo de pesadelo e não conseguir voltar à dormir até falar com alguém. É, confesso, eu quero ser dependente, como sempre fui!
           

domingo, 2 de outubro de 2011

Eu Sou do Mundo!!!

Pirralho arretado, mas que acabou espelindo o mesmo veneno que o atingiu!!! Sim, orgulho de ser nordestino, mas antes de tudo, de ser um cidadão do mundo!!! Livre de preconceitos e estereótipos originados da falta de conhecimento e também de virtudes essenciais como a sabedoria, a justiça e a verdade.
As pessoas devem ser medidas pelo seu caráter e pelo seu coração. Alma não tem cor ou sotaque, muito menos nacionalidade ou regionalidade. Alma tem amor, dignidade, lealdade, fraternidade, verdade, humildade. E se um ser humano não tem alma, eu posso discriminá-lo por não considerá-lo SER HUMANO!!!