terça-feira, 11 de abril de 2017

Sobre borboletas e sinos



Não dá pra saber precisamente quando 

você jogou aquelas borboletas no meu estômago. Só lembro da energia provocada pelo bater das asas que foi tomando conta do meu corpo... até os sinos tocarem.


Mesmo os estranhos percebiam. Tentei te falar... fitava-lhe na esperança que você enxergasse nos meus olhos as cores das borboletas. 


Sei que esse lance de jogar borboletas no estômago dos outros é involuntário. Não há vítimas ou culpados. Destino, acaso, sorte, castigo... Pode ser qualquer coisa. Não importa. É inexplicável.


Talvez o teu cheiro, tua pele, o teu senso de humor, nossas afinidades, o teu modo amável de me tratar, de me olhar... sei lá, você me fazia sorrir, você me fazia sonhar! 


Sim, eu fugi. Espero que você me entenda. Acontece que os sinos passaram a tocar alto demais e as borboletas se multiplicavam sem cessar... eu precisava dividir com você, você entende? (...) Eu não consegui suportar sozinha... 

Sim, também sei que o tempo não foi nosso aliado. Por isso muitas vezes eu desejei te desconhecer só pra te conhecer novamente. Então quem sabe né? Talvez... talvez numa outra vida... Eu?! "eu acredito em tudo, desde que seja incrível".


Mas esse mesmo tempo que eu culpo, também foi meu amigo e, transformou tudo em algo que posso chamar de bonito. Algo que ocupa um lugar especial, embora não preencha. Há espaço pra novos sonhos...


É verdade que, sem estardalhaço, os sinos ainda tocam e as borboletas ainda dançam. 

E que até agora,

todos eles, ponto final.

você, reticências...


Luana Carvalho

quinta-feira, 30 de março de 2017

Rosas do deserto

 


Minha mãe costuma enviar fotos de suas rosas, especialmente pela manhã.

O meu pai enviaria canções, eu imagino...

Há pessoas que se expressam bem com palavras, outras com gestos, outras com o olhar... O meu pai era bom com as palavras, olhava fundo nos meus olhos e falava com a firmeza necessária pra me deixar segura. Já minha mãe nunca foi muito boa de conselhos, está sempre em dúvida e prefere finalizar com um "você que sabe, minha filha". Ela se expressa através de atitudes, no cuidado e na doação cotidiana... é assim que ela sabe nos amar. 

Voltando às rosas... que lembram cheiros... cheiros são memórias. Gosto do cheiro das rosas da minha mãe, mas também gosto de cheiro de cigarro, que lembra o meu pai...então esse negocio de cheiro bom é bem relativo, pois eu sinto saudade do cheirinho de hollywood... Há uma foto na minha parede em que eu seguro um ramalhete de rosas sentada ao lado do meu pai bem magrinho, com um chapéu cobrindo a cabeça raspada e um óculos escuro... eles já eram divorciados naquela época, mas posso dizer hoje que as rosas da foto, de certa forma, representam a minha mãe.

Um certo dia o meu pai me falou, com aquela firmeza no olhar, que a única mulher que havia amado na vida tinha sido a minha mãe. Eu, emocionada, claro, achei lindo... mas um vício, um desencontro, um orgulho... enfim, muitas coisas podem ser mais fortes que o amor. Não deveriam, mas podem.

Eu gosto muito de rosas e de cheiros e de olhares... sobre ver flores em pessoas, sobre cheiros que te levam a outros tempos e mundos e sobre olhares que entregam tudo... .

e, particularmente, sobre as rosas do deserto:

minha mãe, rosa 

com o doce perfume da presença 

meu pai, deserto 

com o triste vazio da saudade.



Luana Carvalho

Foto: minha mãe 

sábado, 4 de junho de 2016

Sonhos


Hoje eu sonhei com você.
Não daqueles sonhos que a gente sonha acordada e que são sempre bons.
Foi dos que a gente sonha dormindo e refletem a realidade.
Mas não se preocupe, ainda criança comecei a praticar esse lance de sonhar acordada, de supervalorizar o que foi bom. Confesso que até invento umas coisinhas pra melhorar. Sei que às vezes acabo misturando estórias e pessoas... De qualquer maneira, foi essa a estratégia que encontrei pra ter sempre uma pontinha de felicidade iluminando o meu cotidiano.
Ah, e logo que acordei do sonho dormido, fechei os olhos e comecei a sonhar de novo, acordada.

[11/03/2016]
Foto em Jericoacoara

atriz


a lua é tão dramática
embora não seja uma estrela, com certeza é uma atriz. 
e é forte. ela sabe que é forte. 
ela sabe que nos queima... por dentro.

Abarcar o aMar


dois barcos abandonados
exaustos de navegar.
o encontro tão almejado
em teus braços 
mergulhei no aMar.

Luana Carvalho
Foto da praia de Pontas de Pedras/PE

lembranças



não lembro do nosso último beijo. 
do primeiro, vagamente. 
não foi muito sóbrio. 
do abraço eu lembro. talvez, eu ainda esteja dentro dele.
e do cheiro, este nunca hei de esquecer.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Castelos

Nunca fui de me encantar com castelos de contos de fadas. Meus príncipes sempre foram plebeus.
As 'coisas' não me impressionam... Eu me perco mesmo é no cheiro, no jeito, no sorriso, no olhar.
Sei me comportar e ser feliz em qualquer lugar, mas gosto mesmo é da felicidade que a gente encontra nas coisas simples.
Gosto dos castelos que a gente mesmo constrói - tijolo por tijolo.
Prefiro mil vezes Frida à Cinderela.