Por mais que a gente se esforce, há sempre o momento, sem intervalo de tempo definido, que ermos de escorregar para o nosso buraco negro.
Talvez mantendo-nos sempre ocupados conseguimos evitar esta queda por algum tempo. Porém, há sempre um momento de distração que nos leva a este lugar sombrio que há em cada um de nós.
Escuro e repleto de questionamentos, nos encontramos sempre sozinhos a enfrentar o nosso mais poderoso inimigo – nós mesmos.
São tantas perguntas sem explicação. Há momentos que ficamos cara a cara com nossos valores e temos que nos esforçar para não corrompê-los, já que os corrompendo, corromperemos a nós mesmos. E como ermos de saber se nossos valores são o caminho da verdade? Mas são nossos valores pow! E de que somos construídos senão de nossos valores?
Somos livres! Será? Como posso considerar-me livre se considero tão importante a opinião que o meu vizinho tem a meu respeito? Não serei eu uma marionete da sociedade? E será o exercício da liberdade constituído por fazer tudo que posso? Ou serei de fato livre ao saber dizer não, mesmo quando posso dizer sim?
Confesso que às vezes me sinto livre quando sustento um não, mesmo podendo dizer um sim... Por não me sentir escravo do meu instinto... um ser que pensa nas conseqüências das suas ações. Embora saiba que também sou instinto e que segui-lo já me tenha proporcionado imensuráveis prazeres. Aí encontro mais uma questão : Quando segui-lo?
Às vezes tenho inveja dos ignorantes e dos completamentes instintivos... Deve ser leve viver sem questionar a realidade, sem querer ser correto o tempo todo, sem pensar no outro... Mas será isso viver? Viver pra mim não tem sentido literal. Sempre o revesti com um sentido romântico, quase utópico! Que se aproxima muito mais do conceito que eu tenho do ser humano. Dessa busca incessante da sabedoria, do ser! E 'ser' é subjetivo, utópico, pensante, emotivo, amante... Ser é a resposta que procuramos. É o porque viemos... O porque existimos. Existimos para ser! Mas como ser únicos num mundo repleto de padrões? E bem sabemos que estão nossos tão aclamados valores imbuídos desses padrões.
Desde muito cedo aprendi que devemos não fazer com o outro o que não gostaríamos que fizessem conosco. Claro que em algum momento escorreguei... Contudo o mantenho sempre em mente, principalmente nas decisões mais importantes. Também sei que devo ter deixado de viver algumas coisas... Mas acredito ter vivido outras melhores...
Lembro que quando criança, de tempos em tempos, surgia-me uma falta de ar... Daí gritava por minha mãe e dizia “mãe, não consigo respirar”. Talvez esses momentos consistiam em meus buracos negros pueris... Quando da morte eu tinha medo e da vida eu queria correr... O que eu queria afinal?
Falar demais consiste em um dos meus maiores defeitos, imagino. Porque algumas vezes acabamos falando o que não pensamos ou o que pensamos de maneira meio tosca... É como se fosse um vômito de nossos pensamentos... Está tudo misturado... E fede!
O futuro não existe até que se torne presente. Então se clama: Viva o presente!! Mas às vezes desejo que o presente passe logo... para que eu possa sair desse buraco negro...