domingo, 29 de julho de 2012

Além do arco-íris
existe aquele casarão.
Onde quem não dança valsa,
sabe dançar quadrilha.






sexta-feira, 29 de junho de 2012

Igualdade desigual


Elas passaram anos lutando pelos seus direitos e, enfim, deixaram de ser Amélias para se tornarem burras de carga.

O mundo continua machista e hipócrita. As mulheres se igualaram aos homens em muitos dos aspectos que tornam a vida deles mais fácil, mas em poucos dos que poderiam tornar a vida delas mais justa e feliz.

Os sutiãs foram queimados e elas continuam ardendo –  no mau sentido, vale ressaltar.


domingo, 6 de maio de 2012

Despertar


Abri os olhos... Foi como se uma venda tivesse caído.
Como se estivesse olhando para mim do lado de fora do meu corpo.
Como se acordasse de um porre e, enfim, enxergasse a realidade.
Desesperadamente quis voltar a dormir... Deixe-me voltar a dormir!
Chovia lá fora e dentro de mim... Chovia dentro de mim... E estava escuro... Escuro...
Lágrimas ácidas escorriam sobre minha face... Queimando-me... Queimando-me...
Eu lembrava dos sorrisos de ontem como algo distante, ilusório, dopado.
Eu percebi que havia sorrido, sonhado e vivido... sozinha.
O barulho da chuva ensurdecia-me, afogando meus sentimentos tolos.
As lágrimas alimentavam-me com o gosto da verdade.
E como num gesto de loucura comecei a me deliciar com elas... Elas eram reais... Reais!
Eram quentes, puras, transparentes - como eu desejava que fossem muitas coisas da vida.
Deixei, serenamente, que lavassem minha alma e provocassem uma espécie de despertar .
Despertar para um novo dia onde tudo o que parecia igual estaria completamente diferente.
Como se eu estivesse abrindo uma nova porta...
De alma lavada e sustentada pela pílula da esperança.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Contracenas do viver


De que valem as palavras
Quando as atitudes não as validam?
Por que usá-las em vão?
Que saiam não da boca,
Mas do coração!

Por que agradar com inverdades?
Por que não lutar pela verdadeira felicidade?

As pessoas são descartáveis.
Já os objetos têm que ser duráveis.

Passa-se anos perseguindo o carro dos sonhos.
Mas amor se encontra em qualquer mesa de bar.
Pra que esperar? Por que lutar? 

Bom é mostrar que se casou com um bom partido,
Diga-se: marido rico!
Que importa se somos felizes de fato?
Sorrir na foto é sempre fácil,
Difícil, é acordar sorrindo!



Saudade



Saudade é tradução
Do que se passa
Numa alma que um dia acreditou
No encontro, no amor.

                                                                                    Saudade é um vazio deixado
                                                                                    Num espaço reservado
                                                                                    Para o essencial.

Saudade é mergulhar nas lembranças
Das projeções que fizemos
E que não se tornaram reais.

                                                                                     Saudade é tanta coisa,
                                                                                     É tanta gente,
                                                                                     É triste,  é contente.
                                                                                     É humano,  é da gente!


luana carvalho
Arte : Jon Paul.

sábado, 12 de novembro de 2011

Muitas vezes o Pessoa traduz o meu estado de espírito

Nuvens

No dia triste o meu coração mais triste que o dia…
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de conseqüências?
Não, nada…
O dia triste, a pouca vontade para tudo…
Nada…
Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive).
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo…
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente…
Não sentem: para que haveriam de sentir?
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, álacre, vivo, contente de sentir-se…
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer…
No dia triste o meu coração mais triste que o dia…
No dia triste todos os dias…
No dia tão triste…

Álvaro de Campos (um dos heterónimos mais conhecidos do Fernando Pessoa)